12 – Avanços e Colapsos

Sexta-feira à noite Mário foi ver se ela ia à escola e aproveitou para lhe dar uma carona. Ele falou das aulas que ela perdera no dia do encontro anterior. Lílian então argumentou que com ele também aprendera muita coisa, o que justificava a sua falta.

— Estou adorando as suas aulas! — disse ela, alegre.

— Nossa, que caderno bonito! — disse ele, fingindo encabulamento.

No sábado Mário prosseguiu com a parte prática das aulas sobre sexo.

— Você já viu pinto de homem?

— Não — disse ela.

— Você nunca deu banho no seu irmãozinho, quando ele era pequeno?

— Ah, mas aí é diferente! Eu vi de criança…

— De homem é quase igual, quando está adormecido. Quer ver?

Dizendo isto pegou a mão dela, abriu a braguilha e o fecho da calça, abaixou um pouco a cueca. Ela virou o rosto para não ver e ele guiou a sua mão inerte até o pênis. Depois do contato inicial, quando tentou fazer com que ela o segurasse, ela fechou a mão, tensa. Isso o ofendeu, ainda mais quando, logo depois, viu no rosto dela um olhar quase de desprezo.

Ele cruzou os braços e assim ficou.

— Não fica assim, Mário! — ela pediu.

Ele então lhe asseverou que “isso” (tocar em seu órgão sexual) não era mais grave do que deixar que ele tocasse no órgão sexual dela.

Passou um bom tempo e ele, entediado, já que não a acariciava, disse:

— Está na hora de você dormir…

— Não vou! — replicou ela firmemente.

Mais tarde esse curto diálogo se repetiu, e ela começou a soluçar. Logo as lágrimas corriam pelo seu rosto. De início o rapaz não ligou; depois tentou provocar-lhe o riso, sem êxito porém. E os soluços, e as lágrimas, e o recomeçar do choro quando ele ia perdendo intensidade, tudo isto durou bem duas horas. Finalmente Mário conseguiu que ela correspondesse aos seus beijos. Enxugando lágrimas, ela se dirigiu ao portão e lá se despediram.

*

Domingo. Depois dos acontecimentos do sábado, viu-se Mário diante de duas alternativas: continuar como até agora ou passar, nos jogos amorosos, a nada exigir dela e a nada também lhe oferecer. Achou esta última opção a mais justa.

À noite, inicialmente deram um passeio pela cidade, juntamente com a Júlia. Mais tarde, a sós com Lílian, ele não procurou os seus lábios, mas correspondeu às iniciativas dela. Ficaram um longo tempo se beijando e fazendo diálogos intermitentes. O braço da garota o envolveu na altura da cabeça, mas as mãos dele se limitavam a acariciar seus cabelos e seus braços. Nenhuma vez desceram aos seios ou às coxas. Isto pareceu deixá-la nervosa, mas ainda assim o rapaz manteve o comportamento. Mas só a custo conseguiu esconder o tédio.

Cerca de 11 horas, ele lhe disse, com o maior tato possível, que estava na hora dela dormir. A princípio chateada, ela concordou. Dirigiram-se ao portão, onde ele pretendia se despedir tão somente com um beijo. Começava a chuviscar levemente. Ela, emburrada, fugia dos lábios dele, afastando o rosto ora para um lado, ora para o outro. Bem humorado, Mário insistiu, tentando “beijá-la na marra”, até que os lábios da moça se abriram para os dele. Estavam, porém, inusitadamente quentes, e tão ardorosos que o moço facilmente se deixou envolver. Colado ao dele, o corpo da menina começou a tremer; escapavam-lhe do peito gemidos e um quase-choro convulso. Ele tremia também. Estavam então os dois extraordinariamente emocionados. O chuvisqueiro aumentara. Mário suspendeu seu vestido, e pôs-se a pressionar fortemente o corpo dela, simulando os movimentos do ato sexual. Abriu depois a braguilha, pronto para libertar o pênis da cueca. Mas a cabeça de Lílian estava molhada, e gotas de chuva escorriam-lhe pela face. Voltaram ao carro.

Ele desceu a calcinha até os joelhos, tentando descobrir um meio de, naquele pequeno espaço, aproximar os dois órgãos. Estava ainda em dúvida se prosseguiria ou pararia ali. Abriu a braguilha e liberou o pênis.

— Você vai me machucar, Mário? — perguntou ela, quase chorando.

— Claro que não, Bobinha!

Ele abriu a porta do seu lado, saiu do carro e abriu a outra porta. A calcinha dela estava agora mais para cima, e ele a fez retornar à posição anterior. Desajeitadamente, de início passou a perna direita por sobre o corpo da moça, de forma a ter suas coxas entre as dele. Ela começou a chorar com desespero e ele rapidamente desfez a manobra. Nessa altura, ela tombara a parte superior do seu corpo na direção do outro banco. Suas pernas permaneciam na mesma posição, com os joelhos juntos, voltados para a frente. Ele se debruçou sobre ela, fazendo a glande encostar na junção das coxas e da região púbica. Ela recomeçou o choro e ele novamente voltou atrás.

Ele volteou o carro, reinstalando-me em seu banco.

— O que você fez comigo, Mário? — disse ela chorando, após recostar-se de novo.

— Não te fiz nada, Li. Não te fiz nada. Apenas encostei em você; nada mais.

— É que a calcinha está com uma mancha…

— Deixa eu ver…

Havia realmente pequenas manchas de sangue.

— Acho que estou menstruada — admitiu ela, enxugando as últimas lágrimas.

Voltaram aos beijos ardorosos, e desta vez ele acariciou os seios e excitou longamente o clitóris. Quando se despediram, ela parecia ainda perturbada, mas o rapaz achou que tudo estava bem.

*

Na segunda-feira, cerca de 9 horas, Mário foi ao escritório, mas Lílian havia saído há pouco para ir ao hospital fazer uma consulta. O rapaz foi atrás e encontrou-a logo depois. Sua aparência não era boa. Naquela noite, ela disse, não conseguira conciliar o sono e tomara um calmante. Sua pressão provavelmente baixara muito. Momentos antes, andando, estivera a ponto de cair. Ia avisar a mãe e em seguida fazer a consulta. Mário ofereceu-se para levá-la, mas ela achou melhor que não.

Ele passou o dia preocupado. À noite, foi lá. A Dayse, que o atendeu, disse que Lílian estava dormindo.

No outro dia ela também não apareceu no serviço. O mal-estar do rapaz cresceu. Julgou ver no rosto do pai de Lílian, quando o encontrou na rua, um olhar inamistoso. Achou que à noite ela estaria novamente dormindo, mas resolveu tentar. Chamou-a e Júlia atendeu:

— Vou ver se ela pode vir até aqui, Mário.

Daí a pouco Lílian aparecia. Não estava frio, mas ela vestia um pulôver. Depois de se beijarem ela precisou apoiar-se, pois se sentia muito fraca. Não comera quase nada nesses dois dias. Ao segurar nas dele, suas mãos tremiam. Dez minutos depois ele se despediu, para deixar a doentinha descansar.

Na quarta-feira Lílian estava quase boa de manhã, e já recuperada à noite.

*

Nesses dias e nos seguintes parecia ao rapaz que o único caminho possível era interromper o progresso no relacionamento erótico, pois temia causar traumas à garota. Por outro lado, não achando conveniente continuar com as carícias sem retribuição, o namoro voltava à sua falta de sentido. Foi mais ou menos o que expôs a Lílian no sábado, novamento falando em rompimento. Perguntou-lhe se não achava também que o namoro não tinha sentido nem futuro. Ela permaneceu num silêncio obstinado. Quando ele insistiu em saber a sua opinião, ela começou a acariciar as mãos e procurou os lábios de Mário.

No domingo ficaram um bom tempo na área da casa. Mais tarde, no carro, voltaram aos jogos amorosos de sempre. Numa segunda fase ele tentava, acariciando-a, conseguir maior proximidade com o seu corpo. O joelho esquerdo dele aninhou-se entre os dela, mas o problema não ficava resolvido. Então, num movimento para ele imprevisto, Lílian tentou outra manobra: virando-se de frente escorou os joelhos na beirada do banco, um de cada lado da coxa direita do rapaz. Seus seios ficaram pouco abaixo do rosto dele. Enquanto se beijavam, ele desceu um pouco as calças, liberando totalmente o pênis. Suspendendo um pouco o corpo, fez o membro buscar a região próxima ao início da vagina. Não havia, por causa dos jeans, possibilidade de ir além. Mas o soluço de Lílian novamente apareceu e ele desistiu.

Parecia que ela ia ter nova crise de nervos, e ele tentou ajudá-la, pedindo-lhe primeiro que não retivesse as lágrimas, e depois que procurasse ser forte e enfrentasse essa reação absurda.

— Quando você me acaricia eu não sinto medo; eu gosto!

Com Lílian mais calma, Mário, que não fechara a braguilha, tirou novamente o pinto, agora mole, e fez com que a mão dela, aberta, repousasse alguns minutos sobre ele.

*

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