13 – Mentiras e Avanços

Na quarta-feira de manhã Lílian foi a Cachoeiras com Júlia, retornando à tarde. Teria visitado um consultório médico para tratar de suas dores de cabeça.

Mário quis saber “o que o médico havia dito”. Ela replicou:

— Não disse nada…

No dia seguinte o rapaz voltou à carga. Queria detalhes da consulta.

— Bom, primeiro, né, a secretária me chamou e eu entrei no consultório…

E prosseguiu, sempre nesse tom farsesco. E sem contar o que o médico “havia dito”. Mário pediu-lhe que mostrasse a receita, pois certamente haveria uma receita. Ela admitiu que havia a receita, mas começou a choramingar.

— Depois eu mostro… — disse ela, entre soluços, como que acedendo ao pedido.

Pouco depois, quando as lágrimas secaram e ela iria buscar os cadernos da escola, o rapaz lembrou-a de pegar a receita. Ela saiu e voltou sem a receita. No carro, enquanto davam uma volta, ele lhe disse que fazia questão de ver o papel. Ela recomeçou a chorar.

— Eu não posso mostrar, Mário …

– Que que tem essa receita? Será que você está com lepra, que não pode me mostrar? Eu não vou ler o que está escrito. Quero só ver o timbre do hospital e o teu nome.

Choro convulsivo.

— Vou te deixar na escola — disse ele. — amanhã, antes de eu ir para Oliverama, a gente conversa.

Quando ia descer do carro ela perguntou, ainda enxugando lágrimas:

— Você está bravo comigo?

– Não, não estou bravo.

*

No dia seguinte, pouco antes do almoço, Mário foi à casa da garota. Depois dos beijos e de avisá-la que estava saindo em viagem, voltou ao assunto da receita. Desta vez ela não chorou.

— Está bem, Mário! Eu menti pra você.

— Você não foi então ao médico? O que você fez em Cachoeiras?

— Ah, Mário! A Júlia é que foi consultar, e eu fui com ela.

— Pô, eu acho incrível que você precise mentir até nessas coisas sem importância!…

Aí ela começou a enxugar lágrimas. E ele:

— Está vendo só o que teria acontecido se você tivesse contado a verdade? Agora não sei se você estava mentindo antes, apenas, ou está mentindo agora, também. É uma merda, mesmo!

Mas como não queria viajar com problemas pendentes, deu o caso por encerrado.

*

Mário voltou de Oliverama à tardinha da segunda-feira. Tomou um banho, comeu um sanduíche no bar e rumou para a casa de Lílian. Tudo correu bem até as 11 horas, quando se envolveram, no carro, em jogos amorosos. O rapaz desceu os jeans e a calcinha da moça, tentando a seguir aproximar os órgãos sexuais. Ela não queria, começando a choramingar a cada tentativa. Ainda assim, como ele insistisse, por duas vezes o pênis roçou o púbis da garota. As posições, entretanto, eram muito ruins, e o espaço à frente muito pequeno.

*

No domingo, Mário achou de bom alvitre modificar a estratégia: não acariciar os seios da menina e não tocar na região vaginal. O tédio, entretanto, logo apareceu. De vez em quando ele puxava algum assunto, que tinha vida curta. De vez em quando os lábios de Lílian procuravam os seus, sem que as carícias se aprofundassem.

Às 11 horas aconselhou-a a ir dormir.

— Não vou! — embirrou ela, cruzando os braços.

Mas daí a pouco, vendo a sua seriedade, Mário quis rir, Lílian riu, e eles se abraçaram. Embora não fosse esse o objetivo do rapaz, ela se mostrou extremamente acessível. Ambos estavam excitados. A mão da moça resvalou para o colo do rapaz, roçando o tecido da região. Ele começou a abaixar as calças da moça, e ela ajudou.

O pênis foi liberado, mas não chegou à vagina, pois os jeans e o pouco espaço o impediam. Além disso Lílian não queria que as coisas passassem dos contatos já conhecidos. Quando o corpo da garota voltou a ficar ereto no banco, como compensação ela procurou o pênis e o segurou. E Mário, envolvendo a mão dela, a instruía para fazer pequenos movimentos masturbatórios. Mas logo a fez parar, para evitar a ejaculação.

*

Na segunda-feira, no escritório, de manhã, Lílian estava visivelmente deprimida.

Na quarta-feira ela não foi à escola, alegando que só haveria comemorações sem importância. Passearam pela cidade, parando em seguido defronte à casa da moça. Conversaram sobre menstruação. Mário lera um artigo sobre o período fértil, e Lílian falou que precisava tomar um regulador. Nessa noite, apesar das carícias habituais, ela não permitiu que ele abaixasse os seus jeans. Ela parecia preocupada com a proximidade da casa.

*

No sábado, ela estava muito excitada e ele tirou o pênis. Houve as mesmas dificuldades das outras vezes, embora ela estivesse de vestido. Passados alguns minutos, porém, ela começou a sentir-se mal. Parecia estar sofrendo muito.

— Onde está doendo, Li?

— Em todo lugar…

Quando melhorou, Mário tocou no assunto de sua possível mudança para outra cidade, já que ele recebera oferta de emprego em outra firma. Ela perguntou:

— Você vai me levar?

Dias antes eles haviam conversado a respeito, mas num tom entre sério e farsesco. Pareceu ao rapaz que agora ela falava sério, ou queria que ele assim pensasse.

— Ah, você não tem coragem! — disse ele.

— Eu tenho coragem, Mário!

— Eu acho que você não tem. Aquela vez que a gente ia pra Cachoeiras: você não ficou com medo e quis voltar?

— Mas agora eu não vou ficar com medo!…

Ele a abraçou, mas ela insistiu:

— Você vai me levar?

— Ah, Li, eu preciso pensar. Daqui a duas semanas você me pergunta de novo, tá?

Ela permaneceu quieta, já um pouco emburrada. Depois de alguns minutos, ele se viu obrigado a responder:

— Lílian, eu não levaria você.

Explicou melhor:

— Não é porque você não me merece, Li. Pelo contrário: você é uma menina maravilhosa.

Citou então os problemas que haveria:

— Diversidade de interesses: por exemplo, você gosta de dançar e eu não. Diversidade de vivências: daqui a 2 anos você vai perceber que deixou de fazer uma porção de coisas por estar ao meu lado; e vai me acusar.

— Eu não vou acusar você, Mário! — interrompeu ela.

— Ciúmes: Toda vez que eu for com você a algum lugar, você vai olhar de lado, como fez naquele baile, e eu vou brigar com você. Além disso, Li, eu sou meio maluco… Não sei ao certo o que quero da vida. Estou perdido no espaço. E eu não quero estragar a sua vida, Li.

Esses argumentos pareceram convencê-la e recomeçaram a se acariciar. Lágrimas ainda molhavam o rosto da garota.

Cerca de meia-noite e meia foram até o portão. Ali se abraçaram e a garota novamente se excitou. Começaram a pressionar seus corpos um contra o outro. Como estavam muito expostos, entraram no terreno, num canto junto à varanda. Ele suspendeu o vestido dela, abaixou a calcinha e tirou o pênis. Ela fechou as coxas e a vagina ficava abaixo do pênis, mas ainda assim tiveram um contato melhor do que os do banco do carro. “Não, não!” dizia ela, e afinal ele teve de parar. Houve um começo de lágrimas.

*

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