14 – Gincana e Intervenção Adversa

Domingo. A convite da Júlia, Lílian e Mário participaram de uma gincana. Estavam na Equipe C. Havia também as equipes A, B e D. Foi um dia estafante mas divertido: começaram às 8 da manhã, terminando apenas 11 horas depois.

O grupo que usava o carro de Mário conseguiu para a equipe C algumas pequenas vitórias: a melhor dupla sertaneja e o homem de pé maior. Arranjou também a quase totalidade dos livros didáticos que a equipe iria doar. Já a abóbora de 12 kg, que lhes deu muito trabalho e os fez percorrer 30 quilômetros, foi superada por outra de 20 kg da equipe A. Estavam no carro Mário, Lílian, Júlia, Wilson e Ester.

Às 16 horas começou a apresentação das questões. Logo de início houve um lance sensacional: o ítem pedia “um casal de médicos, ele vestido de branco e ela de baiana”. As equipes A, B e D não apresentaram ninguém. A equipe C, porém, fez subirem o Dr. Carlos e a Dra. Vanda. “Não vale! Não vale!” gritaram em coro os elementos dos outros grupos. Argumentaram que era preciso serem os médicos marido e mulher. De fato, Mário e Lílian pensaram assim, quando leram o quesito. Alguma cuca fresca da Equipe C, entretanto, percebeu acertadamente que não se pedia que os dois fossem casados. Assim, tiraram o Dr. Carlos de sua esposa, que não era médica, e puseram-lhe ao lado a Dra. Vanda. Os membros da comissão julgadora consideraram válida a apresentação, sob protestos dos outros grupos, que ameaçaram abandonar a disputa.

A disputa mais demorada foi a do desafio de viola entre as equipes. Estas se enfrentaram duas a duas, e depois as vencedoras voltaram ao tablado para a disputa final. A Equipe C ganhou a primeira briga, mas perdeu a final, ficando nesse quesito em segundo lugar.

No cômputo geral, a Equipe C ganhou a gincana, com apenas alguns pontos a mais que a equipe A.

Apesar do cansaço, os dois namorados marcaram um encontro para mais tarde. Ficaram namorando pouco mais de 1 hora, com o erotismo limitado às mãos de Mário e aos seios e vagina de Lílian.

*

Quinta-feira. Indo ao escritório a serviço, Mário não gostou da recepção dada por Lílian.

À noite:

— Por que você ficou com raiva de mim hoje à tarde? — quis saber ela.

– Ah, coisa sem importância. Esqueça.

– Ah, Mário, eu quero saber!

– Esqueça, tá? — respondeu ele, abraçando-a.

Sairam para uma volta e ela tornou ao assunto.

— Você não sabe? — retrucou o rapaz.

– Eu não.

– Bom, se você não percebeu sozinha, não vai adiantar nada eu explicar…

Após um intervalo ela voltou à carga e ele novamente desviou do assunto.

— … Eu já sei porque você ficou daquele jeito…

– Ah é? E por que foi?

– É que quando você chegou no almoxarifado eu… não te dei atenção… É isto?

Ele não confirmou, mas ela concluiu que era.

— Ah, Mário, naquela hora eu estava ocupada! Não podia sair dali!…

– Tá legal; esquece o assunto.

Ela estava menstruada, mas isto não impediu que chegassem às carícias íntimas. O rapaz ficou com as costas semi-apoiadas na porta do carro, pois ela trouxera até ele a parte superior do seu corpo. Depois de acariciar seus seios, abriu o ziper do jeans da menina. Como ansiavam por um contato melhor, ele meteu o joelho entre as pernas dela, e a seguir movimentou penosamente o corpo para a acomodação. Havia os jeans entre o órgão sexual dele e o dela, mas tudo foi mais um ensaio. Mário percebeu que nessa posição poderia haver um bom contato caso ela estivesse de vestido. Afinal voltou a apoiar-se no encosto do banco, depois de novas manobras penosas. Aí, enquanto ela o masturbava, ele excitava seu clitóris.

Mais tarde ela ficou preocupada:

— Que hora minha mãe chegou?!

Quinze minutos atrás, quando ainda se excitavam, ele havia reparado que a porta da sala se abrira um pouco. Achou na ocasião que era o pai da moça, mas concluiu depois que era a sua mãe. Tranquilizou contudo a menina, mostrando-lhe que os vidros estavam embaçados e que sua mãe sempre passava rapidamente, sem olhar para o carro.

*

Sábado. No carro, durante um bom tempo ficaram conversando alegremente. Conversaram também sobre sexo. Começou quando Mário contou que de manhã o Bruno lhe pedira para datilografar dizeres numas tiras de cartolina, de onde sairia um “baralho”. “Você gosta de buceta?”, “Você já dormiu com um pau bem duro no cu?”, etc., eram perguntas de um grupo. No outro grupo, havia respostas que poderiam calhar ou não: “Nunca”, “É o que eu gosto de fazer”, etc.

Surgiu o tema “masturbação”, e ela quis saber o que era. Ele lhe explicou, sem descer a detalhes. Ela então contou que no escritório, outro dia, acontecera o seguinte: Dois garotos caçoavam de um terceiro, e a Lílian quis saber do que se tratava. “É que o Fulano estava lá atrás (se) masturbando!” informou um deles. “O que que é isto?” estranhou ela. Todos riram, inclusive um rapaz, o Valter, que estava por perto. Mas naturalmente ninguém explicou.

Às vezes Lílian parecia, a Mário, ser de uma ingenuidade incrível. Fato semelhante ao da masturbação ocorrera com ela tempos atrás, na sala de aula. Daquela vez a palavra (cujo sentido mais tarde o rapaz lhe explicou) era “afrodisíaco”.

Das conversas alegres passaram aos beijos e carícias. Mário repetiu a posição da última vez, demorando mais tempo. Havia porém os jeans que atrapalhavam, além de estar ela menstruada. Ele abaixou a roupa dela apenas um pouco. Na verdade, e por breves momentos (pois as posições eram incômodas e insustentáveis), seu órgão sexual tão somente percorreu o púbis da garota. Depois de algumas tentativas por uma acomodação impossível (o câmbio, a direção e o tocafitas restringiam o campo de ação), ela começou a choramingar incontrolavelmente. Ainda assim ele insistiu mais um pouco. Recolheu-se então à posição normal e cruzou os braços, irritado.

O choramingar continuou por uns 15 minutos, quando finalmente ela enxugou as lágrimas, levantou a parte superior do corpo e apoiou a cabeça no ombro do rapaz. Ele permanecia inerte.

— Por que você está com raiva, Mário?

Ele não respondeu.

— Você está com raiva de mim?

Não estou com raiva de você — respondeu ele, aborrecido. — Estou com raiva é de mim mesmo…

Após uma pausa ela disse:

— Eu não fico assim por querer, Mário! Juro que não é por querer!…

Ele continuou calado.

— Está bem! — decidiu ela de súbito. — Vou tentar me modificar…

Então ele disse:

— Eu não quero que você se modifique…

*

Domingo. Mário não repetiu, dessa vez, os exercícios do sábado. A parte superior do corpo de Lílian, como sempre, estava apoiada nele e no encosto do seu banco. Pôs-me a acariciar os seios e logo tirou o pênis. Aí, enquanto seus dedos passeavam por sob a calcinha, ela manuseava o pênis. Ele começou a movimentar o quadril, para cima e para baixo, como se os dedos da moça formassem uma vagina.

Depois disso ficaram ouvindo música e conversando. Às 11 e meia se despediram.

*

Terça-feira. Mário foi à tarde ao escritório. Ela estava tristinha. À noite, antes de ir buscar as marmitas, ele passou em sua casa. Ficaram um pouco juntos e ela resolveu faltar às aulas.

Às 7 e meia o rapaz lá voltou. Deram inicialmente um giro pela cidade, parando depois no lugar de costume, defronte à casa. Ouviam música e mantinham animados diálogos. Passaram depois às carícias. Ela se ocupou com o pênis e ele com a vagina. Ao fim desses jogos o rapaz tentou novamente um penoso contato direto dos sexos, nada tendo ela objetado. Houve, contudo, os mesmos problemas das outras vezes. Ademais, era ainda cedo (10 horas), e a cada 5 ou 10 minutos passavam carros e pessoas a pé. Num certo momento, com seios e púbis descobertos e pênis à mostra, passou um rapaz a dois metros do veículo. Não sei se percebeu o que estava acontecendo, mas não é impossível. Ele não estava sobre ela, é verdade, mas o fato é que estavam se arriscando demais – e a prejudicada só poderia ser a Lílian.

Após duas tentativas infrutíferas ela pediu, em tom de choro: “Não! não!”, e ele parou. Durante algum tempo ela permaneceu quieta e inerte; parecia não estar bem. Finalmente estendeu a sua mão e acariciou o rosto de Mário. Admitiu depois que estava com dor de cabeça e ele lhe disse que fosse dormir.

*

Quarta-feira. À 1 e meia Mário recebeu um bilhete de Lílian: “Preciso falar urgentemente com você”. Dirigiu-se logo em seguida ao escritório. Soube então que de manhã a mãe dela lhe fizera acusações e reprimendas. O motivo é que a Júlia contara que Lílian e Mário estavam “íntimos demais”.

– De que intimidade a senhora está falando?…

– Você deve saber muito bem!…

– A senhora é que deve saber muito bem, porque eu não sei!

Em seguida a sua mãe, depois de falar das repetidas faltas às aulas, disse que à noite iria “ter uma conversa” com Mário. A menina disse que precisara tomar 2 comprimidos tranquilizantes para poder trabalhar.

No fim do expediente, às 5 horas, ele foi buscá-la no serviço. Chegando à sua casa ficaram ainda algum tempo conversando no carro.

À noite ele lá estava pontualmente. A Lílian estava nervosa e a ponto de chorar. Ao que parece, só a raiva a impedia. Não conseguira jantar: pusera sopa no prato, é verdade, mas desastradamente, “devido aos fluídos negativos” de sua mãe, derramou-a toda.

Os namorados estiveram 15 minutos esperando, e então sairam a Dayse e seus dois irmãos, seguidos pela Dona Luci, que recomendava:

— Não vá faltar hoje, viu, Lílian?!

A senhora passou por eles e Lílian provocou:

— Ué, a senhora não ia falar?!

– Não dá tempo. — respondeu a senhora — Fica para sábado. Aguarde!

Logo em seguida, quando a beijou, o rapaz sentiu uma lágrima descendo. Ela foi pegar os seus cadernos e como era cedo foram dar uma volta. Ele a tranquilizou, dizendo que tudo iria continuar como antes. Sua mãe passaria certamente um sermão, que eles não levariam muito a sério. Em todo caso, passariam a tomar mais cuidado, para que esse problema não surgisse novamente.

*

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s