16 – Satisfações Cruzadas

Segunda-feira. “Oi!” disse cada um dos namorados, e se abraçaram. Quando ele procurou os lábios da moça ela fez com que as cabeças permanecessem enlaçadas. Afastando-se um pouco, ele perguntou o que havia.

— Nada; não é nada, não!

Mas estava claro que acontecera alguma coisa, pois era visível a tristeza da moça. Depois de finalmente se beijarem, ele a convidou para sairem um pouco, até que chegasse a hora dela ir para o colégio.

Durante o passeio ela explicou que a sua mãe novamente a andara atormentando. Na noite anterior, depois da despedida, a senhora criticou duramente a Lílian por não ter comparecido a uma festividade promovida por parentes abastados em Cachoeiras. Lílian desculpou-se como pode, argumentando que trabalhara no sábado o dia inteiro (sua mãe partira na sexta-feira à tarde). Disse também, respondendo a uma insinuação de Dona Luci (“Podia muito bem ter ido, em vez de ficar se agarrando aí na frente até amanhecer o dia!…”), que no sábado ficara com Mário só até a 1 hora; a Júlia é que tinha namorado até mais tarde. Entretanto, de nada valeu a sua argumentação.

— Pôxa, Mário, ela pensa que eu não tenho juízo, mas eu sei o que estou fazendo!…

A verdade é que Lílian vivia se atormentando por causa da mãe. Mário tentou consolá-la, explicando que também ficava às vezes num beco sem saida, envolvido por um negro desespero.

— E como você faz? — quis saber ela.

— Ah, no começo eu me atormento e esperneio, tentando achar uma saída. Mas a saída nunca aparece. O jeito então é desistir da busca e suportar o sofrimento. Daí a algum tempo começa a melhorar.

Estavam nessa altura de novo defronte à casa. Sua mãe passou por eles e avisou-a de que não devia faltar às aulas, pois haveria prova. “Eu sei!” disse ela irritada. Algumas lágrimas então começaram a correr pelo seu rosto. Mário ofereceu-lhe o ombro e ela desabafou um pouco.

*

Quinta-feira. Mário disse, enquanto passeavam pela cidade, que pretendia mesmo ir embora de Passolerim. Contou que a sua fábula predileta era a do Patinho Feio, e que andava à procura do seu lago azul onde crianças louras lhe jogariam migalhas de pão.

— A cada mudança tenho a impressão de que me aproximo mais do meu lago. Talvez ele esteja na próxima cidade…

Lílian ficou triste e magoada, e ele então resolveu estacionar o carro defronte à casa.

Ali voltaram às boas. Conversaram e se beijaram. Mais tarde foram às carícias. Pênis e seios estavam livres e entraram em contato. Como da outra vez, ela pareceu agradavelmente excitada. Vencida essa etapa, o rapaz levou seus dedos até a vagina, começando ela a manusear o pênis. Num certo momento ele pegou um pedaço de papel higiênico adrede preparado, dobrou-o e com ele envolveu o seu órgão sexual, fazendo que ela continuasse a excitá-lo. Ela observou a manobra com curiosidade. Nisso novamente chegavam a Júlia e o namorado, parando logo à frente com o carro. Lílian interrompeu os movimentos por alguns segundos, para arrumar as suas calças. A excitação do rapaz, entretanto, chegara ao auge e ele ejaculou. Quando ela olhou novamente para ele, Mário acabava de enxugar a glande, jogando o papel debaixo do banco e guardando o pênis. Ela segurou a mão direita dele, onde tinham chegado algumas gotas de esperma, e friccionou seus dedos, como para verificar a densidade do líquido – ou perguntando-se de onde ele provinha. Mostrou-se muito alegre, como se estivesse também satisfeita. Nos primeiros beijos, entretanto, seus lábios estavam quase frios, o mesmo acontecendo com as suas mãos.

— Você está chateada comigo? — perguntou ele, numa referência à masturbação.

Ela não estava.

— Você me despreza? — quis ele saber pouco depois, insistindo.

— Claro que não, bobinho!

*

Sábado. No carro, Lílian e Mário se excitavam. Quando ele pensava em apanhar o papel higiênico, sentiu que não daria tempo e que ia ejacular. Afastou então a mão da moça, recebendo a esperma com a sua. Molhou dessa forma parte da calça e da camisa.

Passado um bom tempo, e como a conversa não progredia, ele a puxou para si e recomeçou a acariciá-la. Levantou a sua blusa e o sutiã, tirando o pênis para fora. Trouxe a mão dela até ele. Ela então resolveu participar, masturbando-o enquanto ele acariciava seus seios e depois sua vagina. Como das outras vezes, ela parecia envolvida por sensações agradáveis. Perto do ápice ele pegou o papel higiênico (ela olhou com curiosidade) e com ele envolveu o pênis. Logo depois, continuando ela a excitação, o rapaz ejaculou de novo. Quando terminou e o pênis foi guardado, ela mostrou-se muito satisfeita e carinhosa.

*

Domingo. Durante umas duas horas jogaram cartas. Estavam com a Júlia, seu namorado e a Dayse. Depois disso sairam para o escuro e a privacidade do carro.

— Você acha que dá má impressão a gente namorar aqui no carro? — perguntou ela.

Mário pensou um pouco e respondeu:

— Acho que dá.

Ela então falou que sua mãe tocara nesse assunto, dessa vez sem gritos. “Por que o Mário não fica mais aqui dentro?”, teria ela indagado. Perguntou a Lílian se ela queria voltar para a casa, mas ela disse que não.

No carro estava frio, e a Lílian custava a esquentar. Ele teve de fazê-la vestir o blaser que estava no banco traseiro. Ainda conversaram e finalmente, por insistência dele, começaram a se acariciar. No momento oportuno ele novamente alcançou o papel higiênico e novamente ejaculou com o pênis na mão dela. Novamente ela mostrou-se muito satisfeita, apesar, achou ele, de não ter chegado ao orgasmo e nem perto disso. Enquanto limpava a glande ela ia compondo a roupa, como quem acaba de cumprir um dever. Porisso, e talvez por outros motivos, o rapaz se sentiu envergonhado. Ela passou a mão pelo vidro, para desembaçá-lo, enxugando-a depois com a flanela que estava no portaluvas. Em seguida, como que aproveitando a oportunidade, passou o tecido pela mão do rapaz, supondo decerto que ela estava molhada de esperma.

Mais tarde ele contou que estava envergonhado por causa da masturbação (não pronunciou a palavra). Disse-lhe depois:

— Sabe que eu estou arrependido de não ter te comido ainda?

Emendou:

— Devia pelo menos ter tentado seriamente. Mas aqui no carro não dá; ir pra rua escura é perigoso; e aquela porcaria de república está sempre cheia de gente…

*

Segunda-feira. Era feriado, e portanto não haveria aulas. Mário chegou à casa com a intenção de evitar carícias íntimas. Durante algum tempo ficaram na varanda. Como sempre acontece, porém, a conversa pouco se animou e os simples beijos tinham pouca graça. Convidou-a para um passeio de carro. Percorreram algumas vezes as avenidas e a praça central. Ouviam música e entabulavam curtos diálogos. Ao chegarem de volta ele pensou em namorar dentro da casa, mas a previsão do tédio fê-lo desistir da ideia.

Mesmo no carro, só havia um jeito de espantar o tédio — e logo ele foi posto em prática. O rapaz começou a bolinar a moça e fez que ela agarrasse o seu pênis. Pouco depois, entretanto, ela desistiu de continuar a masturbação:

— Não sei o que tenho hoje; estou com uma canseira!…

Ele lhe disse, preocupado, que seria melhor ir dormir, mas ela não concordou, procurando recuperar-se. Passados alguns minutos, Mário pediu que ela recomeçasse a excitação peniana. Ele também fazia seus dedos percorrerem a vagina. Como Lílian parecia pouco empolgada, ele acabou trazendo a mão de volta e concentrando-se em suas sensações. Daí a pouco ejaculava.

*

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