17 – Programas Familiares

Domingo. Nos dias anteriores a Lílian não trabalhara, ficando de cama quase o tempo todo. Esteve com febre alta e o seu rosto ainda estava um pouco inchado. O interior de sua boca tinha afta, resultado, segundo a médica, da má nutrição.

— Ela disse que eu não tenho vitamina nenhuma no corpo!… — comentou a menina.

Embora estivesse melhor, não podia falar muito, sorrir ou beijar, pois abrir a boca causava-lhe ardências.

— A gente percebe que a sua boca está infeccionada — disse Mário.

— Está com mau hálito? — preocupou-se ela.

— Não é mau hálito; é cheiro de infecção. Não é forte. Só estou dizendo pra você saber.

Ela estava se alimentando apenas de sopas, frutas não-cítricas e vitaminas, pois não podia também mastigar.

Os namorados estiveram um bom tempo conversando, sobre a doença e sobre outros assuntos. Ele dizia:

— Não vou mais mudar de cidade; vou esperar mais tempo.

E completou, brincando:

— Primeiro vou te deflorar.

Ela o castigou simulando um beliscão. E ele:

— Eu nunca vou conseguir, né?

— Conseguir o que?

— Isso que eu estava falando…

Ela disse, suavemente:

— Por que não?…

Numa certa altura, resolveram dar um passeio e convidaram Júlia e o namorado. O passeio demorou poucos minutos, pois o motor do carro estava desregulado. De novo defronte à casa, o outro casal entrou, enquanto Lílian e Mário se deixaram ficar no veículo.

Como ela parecia incomodada com a ardência, o rapaz lhe disse que achava melhor ela ir descansar e pegar no sono. Ela não concordou; preferia ficar com ele. Os lábios de Mário tocavam nos dela, suavemente para não machucar; suas mãos acariciavam o rosto dela, e ela fazia o mesmo com ele. Mário não pretendia aprofundar as carícias, mas como ela demonstrou esse desejo, começou a boliná-la . Libertou depois os seios da blusa e do sutiã, e fez com que a mão dela encontrasse o pênis. Momentos depois ele ejaculava. Continuando a excitá-la, ele alcançou a vagina. Segundo lhe pareceu, ela tentou alcançar o orgasmo, sem porém o conseguir.

Depois disso as ardências voltaram a incomodá-la, e com intensidade maior. Ela deixava escapar, de vez em quando, pequenos gemidos. Ele nada podia fazer, além de acariciar o seu rosto e beijá-lo suavemente. Essa situação se prolongou por algum tempo, e ele já me sentia impaciente. Não deixou, entretanto, transparecer.

*

Terça-feira. De manhã Mário foi ao escritório e Lílian o atendeu, solícita e carinhosa. À tarde lá voltou para pegar um documento. Na porta do salão topou com o João e passaram a tratar do assunto. A Lílian estava a 1 metro, junto a uma escrivaninha, de pé e de costas voltadas para eles. Ali os dois ficaram parados cerca de 2 minutos ou mais. Só então ela deu pela presença do namorado. Mário não achou aceitável que uma garota não reconheça de imediato a voz do namorado.

O rapaz ficou no gabinete do João até a hora de fechar o expediente. Quando a Lílian veio até ele, sentiu-se tentado a deixá-la ir, mas acabou pedindo-lhe que esperasse um momento até ele fazer uma verificação num livro. Pouco depois saiam. Estava caindo uma chuva fina e fria.

Defronte à casa, ficaram conversando. A boca de Lílian estava bem melhor, e ela chupava uma pastilha medicinal. Se continuasse chovendo, ela disse, iria dormir cedo, pois como não podia tomar sereno iria faltar às aulas.

*

Quinta-feira. Renovou-se no espírito de Mário o desapontamento da terça-feira. Ela quis saber o que havia e ele contou. Ela só soube dizer que era falsa a interpretação dele, e ele lhe falou que tentava apenas fazer aflorar à mente da garota a consciência de que ela não gostava dele, e que portanto…

Ela nada respondia, limitando-se a reclamar:

— Eu não gosto que você fique assim, Mário!

Ele continuou emburrado. Estavam então já no carro, pois fazia frio.

— Você quer ficar comigo esta noite? — perguntou carinhosa.

Ele achava que ela não devia faltar às aulas, pois perdera praticamente todas as da semana anterior.

— Li, preciso buscar as marmitas…

Ela não aceitou a despedida, e depois da segunda tentativa ele resolveu levá-la consigo até a marmiteira.

Enquanto esperavam a marmita, ia findando o período de tolerância do colégio. Preocupado, o rapaz falou-lhe da escola. Teve de insistir, pois ela permanecia calada. Afinal ela grunhiu:

— Não vou, não!

Antes de ir à República com as marmitas, Mário foi levar Lílian a sua casa. Ela lhe perguntara, durante o trajeto, fugindo ao mutismo:

— Você vai lá depois?

Dessa vez ele é que não respondeu. Quando abria a porta do carro, ela falou:

— Se não quiser, não precisa voltar…

Ele acabou achando graça e a beijou.

Uma hora depois lá estava ele novamente. Ficou entretanto um longo tempo irredutível. Às vezes ela achava graça e sorria, tentando contagiá-lo, mas ele resistia bem. O que o irritava era o fato de ela nunca topar a discussão dos problemas que surgiam entre eles. Depois de um bom tempo disse a ela que o que devia fazer era partir para o sarro — e dizendo isso procurou os seus seios. Ela afastou a mão dele. Daí a pouco, porém, puseram-se a se acariciar como de outras vezes e ele ejaculou. Após haver afastado sua mão do pênis, ela tornou a pegar nele, como se não tivesse entendido que o rapaz chegara ao orgasmo. Mário achou que ela queria saber algo sobre o esperma que escorrera pelo pênis.

Cerca de 11 horas a Júlia, chegando de carro, foi até eles e disse:

— Lílian, por que você não foi à escola? Não sei não, mas parece que a mãe está furiosa…

*

Sexta-feira. Há dias a Dayse pedira a Mário que a ensinasse a jogar xadrez. Marcaram a primeira aula para o sábado, na parte da tarde.

Sábado. Cerca de 1 e meia Mário estava lá. A Dayse possuía já algumas noções. Jogaram três partidas, e ele ia lhe explicando algumas técnicas. Ficaram ali na mesa umas duas horas e meia. A Lílian estava ali, bem junto a ele. Numa certa hora ele a enlaçou com o braço direito e, abaixo do nível da mesa, acariciava seus seios. Pouco depois ela retribuiu, fazendo seu cotovelo tocar levemente na braguilha, enquanto sua mão se apoiava no braço de Mário, na mesa. Mas foram lances rápidos.

Quanto ao jogo em si, Mário gostou muito de ensinar e, ensinando, praticar um pouco. Por outro lado, achou a Dayse muito simpática, e gostou bastante dela.

À noite a Júlia convidou o casal para irem à Associação. Lá haveria comemoração em torno da fogueira, com quentão e pipocas.

— Em qual carro eu vou? — quis saber a Dayse.

— Vem com a gente, Dayse — disse Mário.

No outro carro seguiram a Júlia e o Nélio.

Lílian e Mário percorreram inicialmente o salão do clube, acercando-se mais tarde da fogueira. Ali foram lidos pela Dayse os nomes dos aniversariantes do mês, sendo a seguir entoado por todos um “parabéns a você”. A Lílian parecia em certos momentos estar à vontade com Mário, e em outros, não.

— Vamos voltar ao salão? — propôs ela.

As luzes agora estavam apagadas, com exceção das negras. Ao som do tocafitas algumas meninas dançavam junto ao tablado; outras estavam sentadas nos bancos dispostos no meio do salão. A Lílian pareceu hesitar. Teria ela acalentado a intenção de, satisfazendo o desejo de Mário, ensinar-lhe a dançar? Mas aparentemente algo a levou a desistir da ideia. Ela quis voltar à fogueira. Ficaram ali um pouco. O João chegou e esteve batendo um papo com os dois. Afinal, como a Júlia e o namorado já tinham saído, resolveram ir também.

— Não gosto de vir aqui… — disse Lílian. — Eu briguei com a Jaqueline e outras meninas…

Havia na festa umas 40 pessoas, entre 14 e 30 anos. A Lílian conhecia todos; Mário conhecia um bom número, mas praticamente só de vista. Apesar disso, não se sentiu mal no ambiente.

Quando entraram no carro é que sentiram como estava frio. Principalmente a Lílian, que era mais friorenta. Rumaram para a sua casa e ficaram no carro namorando. Não demorou e começaram as carícias, apesar dos agasalhos que atrapalhavam os movimentos. Ficaram um bom tempo se excitando. Quando Mário alcançou o orgasmo, pretendeu continuar na excitação da sua vagina, pois ela parecia muito empolgada. De repente, porém, ela ressentiu-se de alguma coisa. Arrumou apressadamente o sutiã e a blusa, subindo a calcinha e os jeans. Ficou quieta. Estava se sentindo mal, com ânsia de vômito.

— Acho que foi aquelas castanhas que comi. — disse ela mais tarde. — eu não estou podendo comer coisas pesadas.

Numa certa hora ela desceu do carro e ficou de cócoras, pronta para vomitar. Melhorando ela um pouco, voltaram ao carro. Ela abria o vidro, pois faltava-lhe ar, para depois fechá-lo por causa do frio. Seu estado, principalmente de início, deixou o rapaz assustado.

— Ai, eu pensei que ia morrer… — disse ela.

*

Domingo. À tarde Mário jogou duas partidas de xadrez com a Dayse, com a Lílian ao seu lado. Mais tarde, quando o Nélio chegou, foram todos tomar café.

À noite, Júlia, Nélio e Dayse estavam de saída.

— Vamos ao cinema, Mário? Vai passar um filme bom!

— Deixa eu ver aqui com a Lílian. Li — disse ele enquanto os outros se afastavam. — Não estou com vontade de ir…

— Ah, Mário! Vamos!

Ele acedeu.

Estava passando “Uma Janela para o Céu”, com o cinema quase lotado. Só conseguiram lugar numa das primeiras filas. Acharam bom o filme. Quando saiam, percorrendo um dos corredores entre as cadeiras, o ciume quis fisgar Mário: a Lílian olhava para o outro corredor, como que para alguém em particular. Ele não pode, entretanto, ver a expressão do rosto da namorada.

Chegaram defronte à casa.

— É melhor a gente entrar, Li. — propôs ele, lembrando-se das recentes restrições de sua mãe.

— Por que? — retrucou ela. — É tão legal ficar aqui com você!…

O frio não estava intenso como na noite anterior, e os dois vestiam agasalhos leves. Quando ele ia ejacular, envolveu o pênis com o papel. A parte de cima ficou encharcada, mas isto não provocou em Lílian qualquer reação negativa. Mesmo depois da ejaculação ele continuou excitando a vagina. Ela estava com o corpo mais livre, abrindo mais as pernas e permitindo que ele percorresse com a mão todo o comprimento de seu órgão sexual.

Quinze minutos depois ele ainda a estava excitando, agora nos seios. Tirou novamente o pênis, ainda mole. Levou a mão da garota até ele, mas após um curto manuseio ela interrompeu. O pênis estava apenas semiduro, e ele resolveu guardá-lo.

— Lembra a primeira vez que eu fiz você pegar no meu pinto? — disse ele a certa altura, com um pouco de vergonha. — Você ficou brava!

— Agora já acostumei… — respondeu ela.

— Sabe, Li, eu não acho muito certo isto que estamos fazendo…

E completou:

— Eu gostaria mesmo é de ter relações sexuais completas…

Mais tarde, como faltavam apenas 10 minutos para a meia-noite, resolveram namorar só mais um pouquinho. Abraçaram-se fortemente. Aí ela movimentou seu corpo para cima, de forma que também a parte de baixo de seus seios ficasse em contato com o corpo de Mário. Sua púbis se apertava contra o pênis, já duro. Mário libertou-o da braguilha, deslisou o corpo um pouco para baixo e abaixou a calcinha da Lílian (ela estava de vestido). A glande ia aninhar-se junto à vagina, no pequeno espaço entre as coxas. Foi quando a Lílian voltou o rosto para a área e assustou-se. Mário olhou também e lhe pareceu que a Júlia e o Nélio ali estavam, de pé. A Lílian já descera um pouco o seu corpo. “Fica nessa posição” cochichou ele, enquanto encarregava-se de arrumar disfarçadamente a sua calcinha.

Resolveram sair. Chegando junto à área perceberam que um vaso de folhagens sobre a amurada é que provocara o susto. O vidro meio embaçado também tinha a ver com isso. Mário tentou então um novo contato. Ali de pé abaixou a calcinha da moça, tirou o pênis semiduro e com ele pôs-me a friccionar o púbis dela. “Não, não!” balbuciou ela, querendo afastar o corpo. Ele então a enlaçou com os dois braços, pressionando o membro já duro contra a junção de suas coxas. Isto durou apenas alguns segundos. Teve de parar e se despediram.

*

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